Sim, perdoar é um exercício. É coisa para treinar, começando com coisas simples e, aos poucos, vamos tocando nas nossas feridas mais profundas.
Aprendemos que devemos perdoar, então simplesmente dizemos – eu perdôo. Será que realmente estamos perdoando os que nos atingiram negativamente de alguma maneira, ou mais difícil ainda , a nós mesmos? Assisti a uma palestra ontem, numa reunião espírita , sobre vingança e foi abordado, é claro, o perdão. Muito providencial esta palestra já que ,desde há 1 semana antes, eu tinha me tocado do quanto vivia alimentando meu rancor e estava no processo de me esvaziar, me limpar desse sentimento pesado e limitante de nossa evolução. Porque, muitas vezes, perante situações ruins que vivemos e nos sentimos desrespeitados, desprezados, não amados, feridos, traídos, frustrados, desapontados, roubados, enganados, preteridos etc, não chegamos a desejar o mal ao outro ou a fazer alguma coisa como vingança. Até dizemos que perdoamos, ou mesmo dizemos que não chegou a tanto, que se o outro fez é porque é imaturo, precisa aprender a ser uma pessoa melhor. Às vezes, nem chegamos a entrar em contato real com nossa mágoa por nos acharmos superiores ou compreensivos.
“- Não. Eu compreendo você. O que você fez tá zerado. Você não fez nada, na verdade , fui eu quem deixou isso acontecer, quem bobeou e posso até ter provocado pelo meu jeito de ser e meus defeitos”. Mas, no fundo da gente, fica aquele peso, um tipo de angústia e mal estar que sentimos quando lembramos do que aconteceu. Não perdoamos verdadeiramente, plenamente.
Essa mágoa pode nos impedir de muita coisa. Ocupa muito espaço na nossa existência. É um peso morto que carregamos e que realmente não serve pra nada de bom. Pode criar traumas do tipo nos tornar pessoas desconfiadas, atrapalhar nossa entrega , relacionamentos com outras pessoas porque estamos tolidos de nos expandir completamente. Porque o amor genuíno exige inocência, exige pureza. Não podemos amar plenamente nada nem ninguém, se carregamos um rancor, uma mágoa; imagine se forem muitas!
O amor não flui com impedimentos, sejam eles quais forem. Perdoar é se abrir, é aceitar os outros e a si mesmo como são! É entender que a vida se recicla a cada dia, se renova. É perceber que tudo que acontece com a gente é para nos ensinar alguma coisa. Busquemos então esse aprendizado, o que essa situação negativa pode nos ensinar. Perdoar é voltarmos a sermos estudantes em sala de aula. Olhar pro Mundo e pra pessoas como mestres e irmos colhendo, aprendendo e crescendo com as lições. Ou será que alguém fica magoado quando o professor de matemática nos mostra como fazer uma equação corretamente quando estávamos fazendo errado? Perdoar é ver o mundo como uma grande escola, às vezes temos professores gracinhas, às vezes temos uns mau humorados, outros veementes, outros teatrais, outros divertidos, outros taciturnos, outros muito inteligentes, outros meio burrinhos….mas todos são seres humanos juntos com a gente nessa vida, cada um com suas imperfeições a serem trabalhadas e aperfeiçoadas. E vamos trocando nossas experiências e nos divertindo com os nossos erros e, porque não, com os erros dos outros.
Quem nunca riu de suas mazelas nunca perdoou. Perdoar é ser leve com a vida e com a gente mesmo. E nosso coração se regozija, se abre e bate feliz! Vamos dar espaço então para que os bons sentimentos ocupem o lugar dessas dores que carregamos em vão. Vamos agradecer ao invés de guardar mágoa e rancor das pessoas ou da gente. Eu comecei meu exercício e você?

