Nunca pertenci a lugar comum
Nunca gostei de pão integral
Corretamente saudável
Nunca quis ser menos
Do que eu poderia ser
Sempre acreditei em sonhos
E mudanças aleatórias ou provocadas
Por nossas frustrações e medos
Que não seja a verdadeira
Esta verdade tão procurada
E obscurecida por olhos nublados
Por conceitos trancados a sete chaves
Em nossos corações
O lugar comum
De acharmos que estamos certos
O lugar comum
De cultuar o sofrimento
O lugar comum
De não se abrir para a felicidade do encontro
Tanta gente por aí
Bonita, elegante, faceira
Sem a menor noção
Do seu real papel na vida
Tanta gente por aí
Perdida, enganando, pisando, desprezando
Quem quer que seja
Achando que assim está por cima
Tanta gente por aí
Se auto flagelando porque acha que não aguenta
A dor
E amamos essa gente
Porque nossa função é o amor
Amamos e nos apaixonamos
Por aquilo que nos flagela
Porque achamos que assim
Estamos nos perdoando
De nossos próprios erros e enganos
Erramos, queremos sem integridade
E o mundo que conseguimos ver
Traz a ilusão de que amor tem que doer
De que amor tem que arder no fogo da paixão
Paixão que nos cega
Que faz que esqueçamos quem somos
E que não vejamos quem está a nossa frente
Paixão? Prefiro a compaixão!
Prefiro a construção!
Prefiro o pé no chão da vida!
Me ancorando e me guiando na terra!
Flutuar? Sim! Com leveza!
A paixão nos faz explodir, romper, despedaçar
A paixão é necessária para corações
Murados, cheios de medo
De se entregarem à felicidade
Meu coração não é assim
Já foi, confesso, e muito
Hoje passeia livre, aberto
Pra se dar por inteiro
Quero a mão do meu lado
Quero segurar esta mão e seguir
Renascer para uma vida real
Vida real de cada dia
Em que obstáculos e buracos
Estão espalhados pelo caminho
Quero o olhar límpido
De quem não precisa dizer nada
Já se sente e intui a palavra
Quero muito, eu sei
Mas, como já disse
Não pertenço ao lugar comum
Não sei ser menos do que eu sou
E agora assumo perante a todos
O que eu quero
Sigo só e cheia de fé
Porque só não ficarei
Sempre gostei de experimentar
Coisas novas, apesar da timidez
Experimento cada gosto, cada cheiro
Cada voz, cada pele, cada olhar
Sem falar no intangível
Na percepção do sensível
Sigo certa e errada ao mesmo tempo
Mas, sigo, porque assim é o fluxo da vida
Podia desistir, eu sei
Me fechar e mais nada sentir
Mas, não pertenço ao lugar comum
E me abro de novo para o risco
Jogo tudo fora e guardo o viço
O que me faz bem lembrar
Sigo, sigo e sigo
Porque um dia eu vou chegar!

