A vestimenta da vida

Desde criança tive dificuldades com minhas vestimentas. Parece que quando criança nós somos mais autênticos e próximos de nossa essência. E, se somos um pouco turrões, acabamos conflitando com quem acha que nos conhece e acha que sabe o que é melhor para nós. Hoje, pensei, ou seria melhor, percebi o quanto a nossa apresentação é importante para pessoas que vivem na superficialidade da percepção. Vêem com os olhos e não com o coração. O que realmente é bonito e harmonioso? Será que pelo fato de estarmos vestindo roupas lindas nos fazem pessoas lindas? Quando nascemos aportamos num ambiente já estabelecido. Uma casa num determinado bairro, com quartos e salas decoradas por quem nos está abrigando. Comemos o que nos dão pra comer e assim vamos construindo nossas referências de formas e cores. E mais tarde vêm as nossas estampas pessoais. De acordo com nossa capacidade de sermos nós mesmos, vamos, na vida, nos reconstruindo, mudando, nos refletindo e nos expondo da maneira como sentimos mais confortáveis. Tem gente que não. Permanece naquele modelo imposto pelo ambiente, seja ele de que classe social for. Vai vivendo ali, enquadrado, Mesmo que seus pés doam horrores, vai usando o salto 7 cm. Imagem de que?
Sempre questionei isso tudo. E confesso que meu questionamento pode ser até idiota, como tantos outros que fazemos pela simples resistência em tentar novas alternativas. Mas de antemão, acho que não. Pra mim, o mais importante sempre foi a essência das pessoas. O que elas trazem de puro, de genuíno no seu interior. O que elas são de fato, sem vestimenta, sem maquiagem, sem nada pra disfarçar sua real consciência. É duro ver a vida por dentro, porque poucos o fazem e acabo não sendo vista como gostaria de ser.
            Quando conhecemos alguém pela primeira vez, temos a mania de analisar todo seu invólucro. Porque não somos nosso invólucro. Não somos nossas roupas, nossa casa, nosso bairro, nosso país, nosso planeta e, sim, estamos vivendo essa história agora nessa existência, num infinito de vida interminável que possuímos. Somos aquela luz que habita nosso corpo, luz de natureza divina e inexplicável. Alguns estão mais ligados à condensação de energia, ou seja, à matéria, outros menos ligados e tudo isso é reflexo da vibração em que nos encontramos. Alguns vibram bons sentimentos, aqueles próximos do amor universal, da compaixão, da compreensão, da solidariedade, da misericórdia, da paz… Outros vibram sentimentos mais densos, como o egoísmo, a indiferença, o autoritarismo, a intransigência, a paixão cega, a procura de satisfação apenas física, a gula, a luxúria, a falta de amor… Essas diferenças vibracionais se materializam em seu ambiente de várias formas. E de acordo com nossa faixa vibracional, vamos atraindo, como um imã, as polaridades afins. E assim nos rodeamos de pessoas que compartilham dessas mesmas vibrações. E depois reclamamos que não somos felizes. Será por que, né? A felicidade vem quando nos esvaziamos dessas cargas pesadas e inúteis que carregamos. Todos querem ser felizes. Mas poucos sabem como, realmente. Atribuímos felicidade a prazer e muitas vezes, um prazer físico que logo passa. Um carro novo, um apartamento na Zona Sul ou em Nova York, uma pessoa pra nos servir em nossas necessidades fisiológicas (comida, bebida, sexo, contato…).Estamos de novo cuidando de nossa vestimenta. Talvez porque no fundo nos sintamos tão frágeis e vulneráveis que se não fossem essas coisas, ficaríamos desprotegidos e a mercê de…. Deus. Ah! Deus. Essa figura intangível para tantos, inconcebível para outros tantos, venerada para muitos, mas indecifrável para todos.  Pois é, Deus está dentro da gente e não fora.  Mora ali, junto daquela luzinha que é a nossa verdadeira essência. Nosso espírito, vibrante, que vive nesse corpo perecível e que o anima, depende dessa luz e vibração maior e fundamental para existir. Vivemos por causa de Deus e mesmo assim não o sentimos. Mas como sentir Deus se nem a pessoa mais próxima da gente nâo conseguimos sentir? Que pessoa e´essa? Nós mesmos. Não paramos pra nada, nem pra olhar pra gente mesmo. Tem gente que é religioso. Legal. Sabe de cor todos os salmos da bíblia. Sabe cantar todos os mantras hindus. Sabe todos os hinos evangélicos. Conhece todos os hábitos e práticas de sua religião. Mas não pára pra olhar seu vizinho, seu filho, sua mãe, seu irmão, sei lá… e o mais grave, não conhece a si mesmo; se acha elevadíssimo, mas tortura os outros com críticas e formas de não compreensão, querem que o mundo e que as pessoas sejam do jeito que eles acham que devem ser. O cúmulo do egoísmo. Gente, amar é tão fácil. É tão mais fácil amar do que odiar, do que exigir, do que carregar toda essa carga de sentimentos densos e limitadores como o ciúme, a inveja, o egoísmo, a vingança, a paixão. Amar é se conectar com o divino,  é deixar fluir, é olhar com olhos de criança, se divertir com a diferença, estar aberto a ouvir e compartilhar o pão e a pimenta de cada dia. Amar é um movimento contínuo, é um fluxo de energia renovadora interminável. Já se falou muito em dar e receber, pois é esse o movimento do amor: dar, doar, se esvaziar e se encher de amor. O amor é o nome dessa energia de Deus que nos mantém vivos e nos dá propósito, nos direciona. Todos já devem ter experimentado essa dádiva que é sentir amor por alguém. Bom, né? Que felicidade, estar do lado de alguém sem precisar fazer nada e ser feliz só pela troca da plenitude desse sentimento. Uma energia revigorante que nos acende e incendeia. Somos feitos de amor, somos energia condensada em várias faixas vibracionais. Todo o resto é vestimenta, é ilusão, porque precisamos mudar de faixa e escolhemos essas vestimentas  de vida , como um Matrix, pra viver, evoluir, ascender e abrir cada vez mais o canal de luz suprema para nos conectar com Deus.